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A minha caminhada para o ‘veganismo’

Claro que uma das perguntas que me fazem muitas vezes é: Porque é que te tornaste vegan? Não tens saudades de carne…peixe? Vá…diz lá… decerto que tens saudades de bacalhau! Portanto vou começar por vos contar um bocadinho do meu percurso. Deu-se um ponto de viragem na minha vida em Dezembro de 2013, de muitas maneiras, e um deles foi pensar naquilo que punha dentro do meu corpo (não tenham ideias, estou a falar de comida). Ora vejamos, o provérbio “tu és o que comes” é antigo, mas está repleto de verdade. Nessa altura, no meu local de trabalho conheci pessoas extraordinárias, algumas serão amigos para a vida, incluindo a minha grande amiga Karen. Ela era vegan, aliás ela é A vegan, se é que me entendem. Nessa altura eu tinha algumas conversas com ela e foi ela, sem dúvida, quem me instigou no meu processo de transição para vegan. Ela era vegan há já quase 3 décadas, na altura em que não poderíamos contar com refeições pré-feitas com substitutos de carne, ofertas de refeições vegan ou até o famoso falafel que todos os supermercados vendem agora. Ela era e é hard core, um exemplo a seguir. Depois vi “Gordo, doente e quase morto” e “Vegucated”, disponível na Netflix. Esses dois documentários desencadearam ainda mais a mudança que já estava a fervilhar em mim. O primeiro narra a vida de um Australiano obeso que toma todos comprimidos possíveis e imaginários para a hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, e mais uma série de problemas de saúde.     

De repente, começou a comer apenas batidos de vegetais e fruta durante uns tempos e as mudanças no seu estado de saúde foram inacreditáveis. O segundo documentário mostra a vida de alguns Nova Iorquinos após iniciarem uma dieta vegan durante algumas semanas, e fala não só dos benefícios para a saúde como também o bem-estar dos animais e os desafios pelos quais as pessoas “normais” passam. Estes são documentários óptimos para ver mas há MUITO mais. Foi então que percebi… espera aí, carne é errado. No ano seguinte deixei de comer carne durante alguns meses, depois tornei-me vegetariana e por fim vegan, no final de 2014. Não havia outra opção, eu não podia simplesmente viver com a possibilidade de incluir produtos animais na minha dieta depois de todo o conhecimento, depois de tudo o que aprendi. Acho que deveria ter cortado o mal pela raíz- ou seja, cortar com todos os produtos animais de um dia para o outro, mas… qualquer que seja o percurso, o objectivo é o mesmo. Desde então que me tornei mais saudável, mais feliz e com um verdadeiro propósito na vida. Se por acaso estão a pensar… não, eu ainda não morri de deficiência proteica (conhecem mesmo alguém que tenha deficiência proteica?…), os meus níveis de ferro estão bons muito obrigado, tenho B12 suficiente e claro está, o meu cérebro funciona bem (alguns podem discordar, mas opah…). Colocando as coisas em perspectiva, nos últimos 6 anos conheci e casei com o meu marido (sim, ele também é vegan), mudei de cidade algumas vezes, comprei uma casa, viajei bastante, comecei e acabei o meu doutoramento e dei à luz o amor da minha vida, o Rafael, que tem 1 ano, concebido e a crescer com muita saúde só com vegetais. Eu sei que isto são coisas normais que pessoas normais fazem, mas é isto, podemos ser vegan e viver a vida e fazer tudo o que queremos. O meu percurso vegan vai continuar para o resto da minha vida, mas, em suma, foi assim que tudo começou.

O que podem esperar desta página? Bem, se por acaso estão de passagem e não me conhecem, nasci em Portugal. No geral, os Portugueses são simpáticos e muito orgulhosos do seu país e dos seus pratos deliciosos. Sim, não me interpretem mal, a nossa gastronomia é deliciosa, desde pratos salgados até aos muito doces.

Com a breca, a minha mãe é cozinheira e teve um restaurante onde o prato principal era leitão assado. O veganismo não é odiar o sabor da carne, peixe ou lacticínios. Ou odiar a tua família por essa razão. Para mim é sobre o que representa e quantas vidas se perderam no processo, assim como o impacto na Terra, a Terra onde o meu filho vai crescer (caso Marte não seja uma opção). Portanto, indo ao cerne da questão desta página: irei partilhar versões de comida tradicional portuguesa ao estilo vegan, assim como outras receitas, alguns factos nutritivos, e alguns factos sobre o bem-estar animal.

Se por acaso encontraram a minha página e não me conhecem, parto do princípio que têm pelo menos alguma curiosidade sobre o assunto e o estilo de vida. Se és meu amigo e não és vegan, desculpa, talvez me odeies um bocadinho ao ler este texto, especialmente as frases sobre como os animais são tratados para tu poderes saborear o teu bife, por exemplo. Mas na boa. Se eu te fizer pensar um bocadinho nas tuas escolhas, escolheres cozinhar um prato vegan uma vez por semana, pois para mim isso é uma vitória, e assim algumas galinhas, vacas, porcos, bacalhaus! vão agradecer também por estarem vivos. Eu fui escuteira durante os meus últimos anos como adolescente e algo dessa experiência ficou comigo: que temos que deixar este mundo um bocadinho melhor do que aquele que encontrámos. Eu sei que com esta página vou, (assim como o simples facto de existir porque eu sou espectacular 🙂 ).

Sintam-se à vontade para comentar, deixar sugestões… dizer que sou uma idiota- “pára de mexer com os meus sentimentos e consciência!”, não vou levar a peito. Acima de tudo, espero que gostem e aprendam algumas coisas novas.

PS: Eu adoro blogs para ideias novas, especialmente receitas. Contudo, uma coisa que me chateia realmente é aquele texto todo antes de chegar ao mais importante: ou seja a lista de ingredientes e o modo de confeção. Não é assim tão importante saber porque é que se gosta tanto daquele tipo de comida, se era uma receita da bisavó (assim como as extensas histórias de vida também), e sinceramente uma fotografia de cada passo a dar é, na minha opinião, desnecessário. Podem ter a certeza que não vão encontrar disso aqui (principalmente porque a minha bisavó iria revirar os olhos na cova se soubesse o que estou a fazer com as preciosas receitas dela – vegoquêeee? – paz à sua alma). Talvez diga alguma coisa sobre a tradição e o que podem esperar – mas é isso! Vamos cozinhar e divertirmo-nos, que tal?

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